O Passado

O atual Mundo Hiboriano foi erigido sobre diversos outros reinos, povos e culturas anteriores, seja através da simples evolução, absorção por grupos mais poderosos ou simplesmente após sua completa destruição. Mas muito do que temos hoje remonta ao passado, guardando semelhanças inconfundíveis e elementos consonantes. Saber o que faz parte de cada período ou não é um estudo constante de pesquisadores e homens cultos espalhados pelo mundo.

A Era Pré-Cataclismo

Daquela época conhecida pelos Cronistas Nemédios como Era Pré-Cataclismo pouco se sabe. Segundo fragmentos obtidos nos escombros do mundo, o Continente Thuriano era dominado pelos reinos de Kamelia, Valusia, Verulia, Grondar, Thule e Commoria. Esses povos falavam uma língua semelhante, levando a crer que vieram da mesma origem. Haviam outros reinos, igualmente civilizados, habitados por outras raças e aparentemente mais antigas. Os bárbaros daquela época eram os Pictos, que viviam em ilhas distantes no Mar Oeste, os Atlantes, que moravam em um pequeno continente também no Mar Oeste e os Lemurianos, que habitavam um arquipélago de grandes ilhas no Mar Leste. Os Pictos e os Atlantes mantinham ainda territórios no continente, pequenas colônias que buscava recursos nas terras mais ricas. Haviam também vastas regiões de terras inexploradas. Os reinos civilizados, embora enormes em extensão, ocupavam uma porção comparativamente pequena de todo o planeta. Valusia era o reino mais ocidental do Continente Thuriano e o mais desenvolvido, enquanto Grondar era o mais oriental e de povo menos culto do que os de seus reinos semelhantes, estendia-se uma vastidão estéril de desertos, de onde poucos retornavam. Sabiasse que na costa oriental do continente habitava uma raça humana de grande poder, cujo contato era restrito aos Lemurianos. Já ao sul do continente vivia a mais misteriosa das civilizações, sem nenhuma conexão com a cultura dos demais reinos e aparentemente pré-humana em sua natureza. A civilização estava desmoronando, com diversas guerras entre as nações. Pouquíssimas histórias sobre aquela época resistiram à destruição que varreria do continente quase toda a civilização que um dia fora gloriosa.

O Grande Cataclismo

O mundo mudou completamente a quatro milênios do período atual: um imenso cataclismo, cujos sinais já eram perceptíveis aos estudiosos e conhecedores do passado. Atlântida e Lemúria afundaram, enquanto as Ilhas Pictas foram erguidas para formar os picos das montanhas de um novo continente. Seções do continente Thuriano de sapareceram sob as ondas ou afundaram, formaram grandes lagos e mares interiores. Vulcões estouraram e terremotos terríveis sacudiram o mundo, fazendo Nações desaparecerem. Os bárbaros se saíram um pouco melhor do que as raças civilizadas: os Pictos que habitavam o continente tiveram sua região minimamente destruída, enquanto muitos Atlantes fugiram de suas ilhas e chegaram a sua colônia. Muitos Lemurianos também conseguiram escapar para a costa oriental do continente, mas lá foram escravizados pela raça ancestral que lá habitava, servindo brutalmente por milhares de anos. A partir daí, a civilização retrocedeu a quase barbárie. Os Pictos, em maior número, iniciaram guerras constantes contra os Atlantes, estes mais organizados e desenvolvidos, pelo controle da região. Enquanto isto, os Lemurianos viviam de forma servil a seus senhores malignos, buscando com todas as forças a liberdade e a fuga daquelas terras malditas. O extremo sul permanecia envolto em mistério. Intocados pelo Cataclismo, os povos que ali viviam se mantinham em completo isolamento. Desta região, apenas pequenas tribos de sobreviventes da antiga Nação da Valusia eram conhecidos: os Zhemri. Vi- vendo escondidos dos povos que dominavam a região, se mantiveram na costa do Mar Oeste e ali se desenvolveram de forma isolada. Mas o povo que viria a governar o continente milênios depois se desenvolveram em um lugar muito mais inóspito e perigoso: as terras gélidas do norte.

O Domínio dos Povos Hiborianos

Durante o Cataclismo, tribos de selvagens fugiram para o norte para escapar da destrui- ção. Eles descobriram que as regiões do extremo norte eram habitadas apenas por uma espécie de macacos-da-neve ferozes, enormes animais brancos e peludos, aparentemente nativos daquele clima. Eles lutaram e expulsaram estas criaturas para além do círculo ártico, tomando para si seu território. Depois que a guerra entre Pictos e Atlantes destruiu o início do que poderiam ter sido novas culturas, outro cataclismo menor alterou ainda mais a aparência do continente original, deixando um grande mar interior onde havia estado a cadeia de lagos, o atual Mar Vilayet, separando ainda mais as terras do leste e do oeste. Os terremotos, inundações e vulcões que se seguiram completaram a ruína dos bárbaros Pictos e Atlantes, reduzindo-os a um número mínimo. Mil anos após este segundo cataclismo, o mundo ocidental é visto como um imenso território selvagem de selvas, lagos e rios torrenciais, populados por pequenas tribos bárbaras bastante primitivas. Já no leste os Lemurianos, após séculos de sofrimento e escravidão, conseguiram derrotar graças a seu grande número a civilização que os escravisava, tomando para si suas riquezas e poderes, mesmo sem o conhecimento necessário para utilizá-los. Os sobreviventes desta maldita civilização que conseguiram escapar da fúria de seus escravos, fugindo para o oeste. Eles seguem então para o misterioso reino pré-humano do sul e o tomam, substituindo sua própria cultura no processo e mesclando-a com a que ali vivia. Nascia assim a mais antiga das nações atuais, a Estígia.

Mas a verdadeira evolução se dava nas terras do norte. Lá, as tribos cresciam e se estruturavam, passando a se chamar de Hiborianos em honra ao seu deus Bori, hoje esquecido. Dominaram as terras gélidas e passaram gradativamente e pacificamente a seguir para o sul, sem entrar em contato com nenhum outro grupo. Esta expansão continuou século após século e os povos que foram encontrados, sempre em menor número e poder, tinham sua cultura absorvida e seu sangue se misturava em uma miríade de diferentes povos com os Hiborianos.

Um Mundo de Diversidade

Enquanto os Hiborianos avançavam e conquistavam a região central do Continente Thuriano, os povos mais antigos também avançavam em suas fronteiras. A nordeste, os descendentes dos Zhemri começam a se expandir, se desenvolvendo em número e poder. Sua cultura diferia bastante da dos Hiborianos e os povos assimilados por eles tornaram esta diferença ainda mais acentuada. A noroeste, os bárbaros Atlantes voltaram a crescer em número, mas ainda se mantendo longe da civilização adquirida pelos Hiborianos e pelos Zhemri. Seus inimigos históricos, os Pictos, respondiam a este crescimento nas terras mais ao sul, o que anunciava um novo confronto mortal entre estes povos. Longe, ao sul, o antigo e misterioso reino da Estígia crescia em poder e feitiçaria, impulsionados por sua crença ao deus-serpente Set, enquanto em suas fronteiras orientais vagavam clãs de selvagens nômades e ferrenhos guerreiros conhecidos como os Filhos de Shem. Próximo aos Pictos, no amplo vale de Zingg, protegido dos ataques bárbaros por grandes montanhas, um bando de tribos primitivas e nômades semelhantes aos Filhos de Shem, firmou morada, desenvolvendo uma avançada técnica de agropecuária que os permitiam viver sem precisar do extrativismo constante das terras.

Das Fortalezas de Pedra para a Conquista

O que os povos Hiborianos não esperavam foi a formação de um poderoso inimigo graças a uma ação do passado. Ao expulsarem as criaturas que ali viviam para o norte extremo, eles acabaram colocando antigas tribos que ali viviam em perigo. Lutando pela sobrevivência, as tribos descobriram o uso das abundantes pedras da região na construção de fortalezas, que permitiram a eles lutar e vencer os monstros que assolaram suas terras. Nascia assim o rude e poderoso império da Hiperbórea. Esta evolução forçada tornou os Hiperbóris poderosos combatentes que se protegiam na segurança de suas fortalezas de pedra e lutavam com perigosas armas feitas do mesmo material. Fortes de corpo e espírito, eles passaram a dominar toda a região norte do continente, varrendo os Hiborianos de uma vez por todas para o sul. Apenas parcas tribos de bárbaros de cabelos claros conseguiram resistir ao domínio dos Hiperbóris, mas sem nunca formarem grandes cidades ou vilas. Sem se dobrar aos Hiperbóris, os Hiborianos não tiveram outra opção além de migrar completamente para o sul, abandonando suas vilas e aldeias para iniciar de uma vez por todas a colonização das terras que passariam a formas as hoje Nações Hiborianas: Aquilônia, Nemédia, Britúnia, Koth, Ophir, Argos, Corinthia e o Reino da Fronteira. Muitos confrontos mais foram necessários para moldar os limites de cada uma destas Nações, mas o domínio dos Hiborianos se estendeu por quase toda a região central e oeste do continente. Já o sul continuou intocado devido ao poderio de seu povo ancestral, em especial graças às terras Estígias, dos Filhos de Shem e dos Reinos Negros, enquanto o leste era tomado por terras desérticas além da onde a vista alcançava, não atraindo a atenção dos colonizadores vindos do norte.

A Formação do Atual Mundo Hiboriano

A história dos próximos mil anos retrata a formação do que temos hoje como o Mundo Hiboriano. O principal destes pontos foi a definição das fronteiras das Nações Hiborianas, formadas pelos povos que vieram do norte e sua relação com os antigos ocupantes dos territórios. Estes reinos dominaram todo o mundo ocidental, mas sua expansão foi limitada por outras forças também em ascensão. A Aquilônia se firmou como mais poderosa Nação do ocidente, após séculos de lutas contra seus terríveis vizinhos. Este território conta com diversos povos fortes em suas fronteiras, como os Gunderlandeses ao norte, os Bossonianos a oeste e os nobres de Poitain ao sul, defendendo seu rico território de inúmeros inimigos. Pela primeira vez em sua história, um não-Hiboriano ocupa seu trono: Rei Conan I, poderoso Cimério que trilhou uma vida de aventuras para, por fim, libertar o povo da Nação do julgo cruel de seu antigo monarca, Numedides. Rival da Aquilônia em poder entre as Nações Hiborianas está a Nemédia, rica Nação que cresceu protegida por cadeias montanhosas, formando a Nação mais culta do mundo. Os sábios Nemédios acompanham a ascensão de sua rival Argos, a única das Nações Hiborianas banhada pelo Mar Oeste. Argos é um território que anseia por crescimento, ameaçando a todos os seus vizinhos em sua ganância. Ophir não se destaca por suas terras ou pelo poder de seu povo, mas pelas inúmeras minas de ouro e outros metais preciosos de seu território, o que a torna a mais rica das Nações Hiborianas. Este ouro serve aos luxos e desejos de seus governantes, além da manutenção constante de mercenários para proteger as suas riquezas e seu modo de vida fútil. Koth, a mais miscigenada das Nações Hiborianas, é também a mais bélica delas. Vive em busca de tomar posse de terras e bens de seus vizinhos, sempre com uma postura violenta e territorialista que gera inúmeros conflitos, em especial com Ophir e Corinthia. Esta última Nação, um pobre território que vive à sombra de suas vizinhas, é quase um território Nemédio, importante apenas pelas diversas rotas comerciais que mantém em seu território.